Pop! OS: um guia para instalar Linux no seu computador

Hace unas semanas tuve un problema con Windows 11. Um erro com uma atualização que não podia instalar: "Cumulative Update for Windows 11 Version 24H2 for x64-based Systems". Fazia realmente muito tempo que não tinha problemas com Windows, além de algo específico com os drivers da placa de vídeo, que de vez em quando quebravam e tinha que baixá-los de novo.

Mas por culpa deste erro não podia abrir Xbox Game Pass, com o qual não podia jogar Balatro. Entrei em Defcon 1. Tentei algumas soluções via Google mas não funcionou nada. A partir desse incidente que não pude resolver, decidi posteá-lo na rede X e obter a ajuda dos gordos.

Pouco tempo depois tinha umas quantas respostas e, entre elas, a solução ao problema. Mas havia outras 20 respostas que podiam resumir-se em "baixa Linux, gordo puto". No princípio me chateou porque havia algo de sentir que sempre te mudam a parada. Pedis ajuda com algo e te aumentam a aposta x20, mas ao mesmo tempo também havia algo de verdade: é raro que nesta altura do jogo, com a quantidade de horas que passo na frente do computador e com minha inclinação ética em relação à pirataria, autodeterminação e essas coisas, ainda esteja usando Windows. Havia algo de verdade na proposta de procurar uma solução definitiva ao problema informático.

Breve história da minha relação com computadores de casa

Minha relação com os sistemas operacionais e os computadores em geral é ampla. De moleque tinha um PC, como todo mundo. O primeiro computador que houve em minha casa foi uma x286 com monitor B&W Hércules. Em 97 atualizou para uma Pentium 166, que foi o computador de casa durante longos anos, até 2007. Aí meu velho atualizou e acho que passamos para uma Pentium Core 2 Duo. Lembro que esse computador foi montado por um amigo do meu velho que instalou Kubuntu além de Windows.

Pouco tempo depois saí para morar sozinho e comprei meu primeiro notebook: um Macbook 2009 que consolidou minha saída do universo Windows. Durante longos anos meu sistema operacional principal foi Mac OS, embora sempre tenha flertado com Linux. Me pedia os CDs de Ubuntu, fui ver Richard Stallman quando veio a Buenos Aires em 2011, e em 2018 usei Ubuntu como sistema principal – naquele momento, por questões de segurança – enquanto trabalhava para Ripio, o que durou até que saí do escritório em 2019.

No final de 2018 voltei para Windows em um notebook HP Omen, dado que meu MacBook 2011 tinha chegado ao teto de seu rendimento: tinha trocado o HD, troquei o leitor de CD por outro disco adicional, aumentei a RAM ao máximo e mais de uma vez o desmonti completamente para trocar a pasta térmica do micro. Mas nunca serviu para jogar e estávamos a nada do lançamento de Magic: The Gathering Arena. Os anos seguintes foram um retorno à hegemonia de Windows. Coincidiu com a pandemia e o início do streaming com Círculo Vicioso (que funcionava melhor em Windows que em Mac OS), e além disso foi a época em que minerei Ethereum, com o que voltei a lembrar como se monta um PC, como se instalam drivers, como se conectam seis placas de vídeo e um longo etcétera.

Depois de uns 14 anos usando notebooks como a plataforma principal para fazer minhas coisas, em 2021 voltei para o computador de mesa. Tendo recuperado a capacidade de montar computadores, peguei alguns componentes que tinham sobrado do negócio da mineração, instalei Windows 11 no PC e saí arando. O conforto de ter tudo concentrado em uma única máquina (trabalho, lazer, música, o-que-for) não tem comparação.

Além disso, em relação preço-desempenho, não há nada melhor. A possibilidade de montar algo aos poucos, melhorar componentes, escolher monitor, periféricos, saídas de áudio e vídeo é incomparável. O único contra é o espaço. Com isso resolvido, não há comparação.

Escolha sua própria distribuição

A partir do erro de Windows, decidi voltar para Linux. Foi uma semana inteira onde basicamente tinha esgotado o ter meus dois principais sistemas operacionais (Windows no PC e Android no meu Xiaomi Redmi Note 14) cheios de bloatware. Porém, sabia que era uma atividade que ia me levar bastante tempo. Investigar, testar coisas, quebrar outras, até que funcionasse. 

O primeiro que fiz foi recorrer novamente aos gordos para pedir conselhos sobre qual distribuição me convinha instalar. As respostas formaram um amplo espectro conforme com o que podia estar procurando. O que eu precisava era de uma distribuição de Linux que me permitisse fazer o que já fazia com meu computador: trabalhar através de uma suite de escritório e, por outro lado, jogar.

Em linhas gerais, o que me recomendaram foi: Ubuntu para jogar, Pop! OS como uma versão de Ubuntu mas com drivers de Nvidia pré-instalados, Arch Linux para ir full hardcore ou Bazzite como uma distro focada exclusivamente em gaming. E a Debian deixar tranquilo. De todas as opções que me deram, me decidi por Pop! OS. Por quê? Não há muito por quê, mas já conhecia como funcionava Ubuntu, me parecia bastante interessante que viesse com drivers instalados, e não muito mais. Sem dar mais voltas, me decidi a instalar Pop! OS no meu computador.

Como instalar Pop! OS no seu PC

O primeiro a ter em conta ao instalar uma distribuição de Linux é que não existe isso de "é bem fácil", "é super simples", "sua avó consegue fazer". Embora seja um processo bem simples, você não está isento de encontrar problemas ou inconvenientes no caminho, ou coisas que tenha que resolver de uma forma à qual não está acostumado.

Você não sai de Windows para entrar em um lugar "mais fácil", mas sim que se sai de Windows ou de OS X para ter mais controle sobre o seu próprio computador, com tudo o que isso implica. Mover-se para cima na pirâmide da autonomia tem um custo. Se não está disposto a pagá-lo, fica onde está.

De todas as outras vezes que tinha usado Linux (Kubuntu e Ubuntu), esta foi aquela em que me interessei de verdade em ir além de um nível meramente de usuário iniciante para tentar explorar todas as vantagens que têm esses sistemas operacionais. Poderia ter feito isso em Windows e em Mac? Seguramente, mas por alguma razão isso me despertou depois de cruzar o limiar.

1. Preparativos

  1. Baixe Pop!_OS
    • Vá para https://pop.system76.com/
    • Baixe a ISO que corresponde à sua placa de vídeo:
      • NVIDIA (se seu PC tem placa NVIDIA dedicada).
      • Intel/AMD (se usa gráfica integrada ou AMD).
  2. Monte um USB bootável
  3. Faça um backup de seus dados
    • Se vai apagar seu SO atual, guarde tudo antes.
    • Se quer dual boot, certifique-se de ter pelo menos 20 GB livres.

2. Configurar a BIOS/UEFI

  1. Reinicie o PC e entre na BIOS/UEFI (com F2, F10, DEL ou ESC).
  2. Ative:
    • UEFI mode (não Legacy, a menos que seu PC seja muito antigo).
    • Secure Boot desativado (evita problemas com os drivers).
  3. Coloque o USB como primeira opção de boot.

3. Iniciar o instalador

  1. Coloque o USB e faça boot a partir dele.
  2. Escolha Try/Install Pop!_OS.
  3. Espere carregar o ambiente ao vivo.

4. Instalação

  1. Escolha idioma e teclado.
  2. Opções de instalação:Para dual boot:
    • Clean Install: apaga tudo e coloca Pop!_OS.
    • Custom (Advanced): você particiona (serve para dual boot).
    • Libere espaço a partir de Windows antes.
    • Em "Custom", crie ao menos:
      • / raiz (20+ GB).
      • swap (opcional, igual à sua RAM até 8 GB máx).
      • /home (o resto).
  3. Ative criptografia de disco se quiser.
  4. Crie usuário e senha.
  5. Inicie a instalação e espere (10–20 min).
  6. Quando terminar, reinicie e tire o USB.

5. Primeiro boot

  1. Pop!_OS inicia sozinho.

Atualize tudo:

sudo apt update && sudo apt upgrade -y

A importância do terminal nos sistemas Linux

Neofetch, um programa que mostra um resumo do seu sistema no console e que se tornou meme entre usuários de Linux

A partir da instalação do sistema operativo no meu computador se abriu um mundo novo com respeito às possibilidades que isso trazia. Em primeiro lugar, a interface do sistema, Cosmic, que está instalada sobre Gnome, anda muito bem. Permite todos os recursos que você espera de um SO baseado em Unix. Em especial a possibilidade de ter uma barra de super busca como acontece no OSX há séculos e que Windows 11 havia incorporado no último tempo.

Depois está todo o tema com os espaços de trabalho, que sempre andaram muito melhor em Linux; e algo que se vê que se pôs de moda faz pouco tempo, que é o "tiling" das janelas. Algo que desconhecia mas que permite ter muitas janelas abertas em simultâneo, ocupando automaticamente quadrantes da tela de forma um pouco mais orgânica.

Mas sem dúvidas a vantagem mais interessante de se mudar para um sistema tipo Linux é a possibilidade de usar o terminal para quase tudo. Não tinha ideia mas, basicamente estando conectado a internet, você pode enganchar repositórios de software onde está tudo o que precisa, com apenas uma ou duas linhas de código. E depois, com outra linha, instalar esses programas e aplicações sem nenhum problema. No meu caso, uso Flatpak e é como ter descoberto a COMPUTAÇÃO de novo. Tchau lojas de aplicações, páginas de download, tchau interface gráfica. Olá linda terminal.

Por outro lado, desde a existência dos LLMs quase não é necessário saber nada. Simplesmente você pergunta ao chat como fazer algo e o chat te tira um par de soluções de implementação imediata. Assim, você começa com um sistema operativo pelado e em menos de três horas você o tem pronto. No meu caso, instalei tudo o necessário para trabalhar e jogar: Google Chrome (embora faz uns dias tenha voltado para Firefox, que anda 1000 vezes melhor), Discord, OpenOffice (tchau Microsoft 365), Sublime Text, VLC Player, Audacious para a música e qBittorrent. Ah, e além disso Steam, que faz alguns anos se tomou o trabalho de fazer com que a grande maioria de seus jogos funcionem em ambientes Linux. Por último, Heroic Games Launcher para minha biblioteca de jogos em GOG e com isso pude substituir 100% o que fazia no PC com Windows sem nenhum tipo de problema. OK, sem nenhum tipo n��o.

Algumas coisas surgiram no caminho. Por exemplo, uma vez que instalei Steam, antes de abrir um jogo me jogava uma tela estranha onde supostamente pré-renderizava gráficos ou algo do tipo. Mas procurando soluções encontrei muito rápido como fazer para que não aconteça mais, escrevi um par de coisas no console e pronto, problema resolvido. Como dizia antes, não é uma panaceia, mas sem dúvida é uma experiência que te dá muito mais controle sobre seu computador e a possibilidade de fazer e desfazer a seu bel prazer.

O descobrimento do console como modo de interação é vital e um mundo novo. Depois de quase um ano de publicar 421, de conversar com muitos amigos e conhecidos sobre como se sentem saudades das velhas épocas da internet livre, realmente você pode apreciar que essa internet não morreu, não desapareceu, mas que está viva no submundo –cada vez mais crescente– do software livre, o open source e os sistemas GNU/Linux.

Por isso, que não te vença a nostalgia e volta ao lugar onde sempre foste feliz.

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