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A ficção científica oculta de Indio Solari: androides e distopia

Rua ou cyberpunk? O lado mais futurista e distópico dos Redondos numa viagem que conecta o Indio com a ficção científica.

Por Marcelo Acevedo · 3 nov. 2026 · 13 min

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Os Redondos chegaram cedo à minha vida, por meio dos meus amigos, quando eu era um adolescente de no máximo 13 ou 14 anos. Mas, diferentemente deles, que os ouviam com devoção, eu nunca cheguei a adotá-los de verdade: gostava de algumas músicas, sabia de cor muitas das letras, mas não sentia que fossem "a minha banda". Naquela época (fim dos anos noventa), eu me sentia mais tocado pela música rápida, agressiva ou liricamente violenta (hardcore, grunge, rap), e Los Redondos não se encaixavam em nenhuma dessas categorias. Então eu os ouvia de tabela, de forma lateral, quando algum dos meus amigos colocava Luzbelito, Un baión para el ojo idiota ou En directo, aquele disco ao vivo com cheirinho de bootleg.

O Polaco Goyeneche disse uma vez: "cresça, garoto, o tango te espera". O meu caso foi peculiar, porque uma banda como Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota, que geralmente conquista a gente na adolescência, me conquistou já adulto. Digamos que comecei a entendê-la e a adotá-la (agora sim) como uma das minhas bandas de cabeceira depois que cresci. E Los Redondos, como o tango, me esperaram.

Nesse tempo que passou entre a minha adolescência precoce e a vida adulta, eu estava convencido de que as letras do Indio Solari falavam quase exclusivamente de cenas de esquina, do sotaque do bairro, de drogas e marginais, de classe operária e de política. Em outras palavras: a poética da rua. Mas quando comecei a mergulhar fundo nas canções de Los Redondos e nas letras do Indio, descobri que havia algo mais, algo que sempre esteve ali, mas que eu não soube detectar na época: ficção científica distópica e cyberpunk, elementos-chave da poética solariana e do imaginário de uma das bandas de rock mais importantes da nossa história.

Suspeito que não sou o único que não percebeu isso de início: embora o Indio talvez seja o cantor e letrista argentino que mais frequentemente recorreu ao imaginário da ficção científica, por alguma razão essa faceta da sua lírica não se fixa na memória coletiva.

O Indio talvez seja o cantor e letrista argentino que mais frequentemente recorreu ao imaginário da ficção científica

Com as ferramentas estético-narrativas da ficção científica, Solari não escreveu apenas letras para dar um quadro narrativo às canções, mas criou algo mais vasto e ambicioso: um projeto expansível que foge do espartilho da música, rompe as limitações da linguagem visual e transforma o Indio em demiurgo de mundos fantásticos.

A gênese desse universo ficcional está na criação de um longa-metragem experimental, e o eixo central em torno do qual gira todo o seu imaginário é um romance inconcluso e eterno, um mito da cultura pop e da literatura argentina, o santo graal solariano intitulado El delito americano.

O amanhecer de um mito

A ficção científica distópica faz parte do imaginário de Los Redondos desde antes do nascimento da banda, quando eram apenas um grupo de amigos inquietos, com vontade de experimentar com as artes. Em 1976, Carlos "Indio" Solari e Guillermo "Negro" Beilinson embarcam numa aventura audiovisual que consiste em filmar um filme experimental em Super 8 mm, cujo título tomarão emprestado do I Ching: Ciclo de cielo sobre viento. Esse longa, escrito e estrelado por Solari, dirigido por Beilinson e rodado entre Valeria del Mar e La Plata, é o que hoje, no jargão da internet, se chama de lost media, isto é, material que um dia foi visto pelo público em geral, mas que hoje está perdido porque foi proibido, destruído ou simplesmente desapareceu. Desse material estão disponíveis apenas uns escassos nove minutos, a partir dos quais é impossível reconstruir a trama, mas existe ao menos uma fonte escrita da época (uma matéria publicada no jornal El Día de La Plata em outubro de 1976) que nos dá algumas pistas para pelo menos imaginar do que trata Ciclo de cielo sobre viento: num futuro distópico em que os níveis de poluição da superfície do planeta aumentaram até patamares catastróficos, a humanidade se viu obrigada a se refugiar em cidades subterrâneas chamadas "subdades". O filme apresenta uma sociedade cibernética organizada e controlada por um centro de computação que provê bem-estar tanto material quanto psicológico e coloca um computador no comando de cada subdade. O conflito surge quando esses computadores começam a lutar entre si numa guerra interna por espaço vital, e por isso deixam de lado as tarefas que lhes foram atribuídas, e as subdades mergulham na decadência e no descontrole. É nesse momento que aparece um grupo de rebeldes que suspeita que a superfície do planeta talvez não esteja tão contaminada e destruída quanto lhes contaram e procura escapar das máquinas que os controlam para sair ao exterior.

Ricky Rodrigo (multi-instrumentista, membro da primeira formação de Los Redonditos de Ricota nos anos setenta e figurante no filme) contou que, no terceiro ato, os rebeldes conseguem sair para descobrir que o mundo na verdade não estava devastado e que a superfície do planeta era habitável, exatamente como suspeitavam.

Claro, fora da Argentina nada disso era novo nem original em meados dos anos setenta. A literatura de antecipação imagina mundos distópicos, apocalípticos e subterrâneos desde o fim do século XIX, e o cinema faz isso desde o início do século XX (penso em Metropolis, de 1927, como primeiro grande exemplo), de modo que não seria errado dizer que a distopia subterrânea é só mais um subgênero da ficção científica. Mas no nosso país poucos se atreviam a apostar num cinema de ficção científica distópica e experimental em tempos de ditadura militar, o que indica que o jovem Carlos Solari já era um artista arriscado e marcado por seus gostos culturais.

THX 1138 (1971), de George Lucas.

Uma das prováveis influências na hora de imaginar seu próprio mundo distópico e pós-apocalíptico talvez seja o profético e injustamente esquecido conto A máquina para (1909), de E. M. Forster, que narra um futuro em que a humanidade vive no subsolo e depende por completo de um onipotente computador que satisfaz suas necessidades materiais, espirituais e psicológicas. Outra influência para Ciclo de cielo sobre viento pode ter sido o conto Os defensores (1953) e sua expansão em formato de romance intitulada A penúltima verdade (1963) (ambos de Philip K. Dick), em que se conta que, por causa da radiação e dos gases letais, a humanidade vive refugiada em tanques subterrâneos enquanto os robôs travam uma Terceira Guerra Mundial infinita na superfície do planeta, embora a verdade escondida seja outra: a guerra acabou há anos e as pessoas sobrevivem miseravelmente debaixo da terra, enganadas por fake news criadas pelas elites dos lados em disputa, que levam vidas plenas num exterior verde e habitável. Por último, poderíamos pensar na estreia de George Lucas, THX 1138 (1971), um filme de ficção científica distópica que descreve o mundo transformado numa imensa sociedade subterrânea hipervigiada e apaziguada com drogas inibidoras das condutas sociais, uma comunidade fria e desumanizada cujo conflito surge quando um de seus habitantes (THX 1138, interpretado por um magnífico Robert Duvall) decide se rebelar contra o sistema, primeiro ousando ter um relacionamento amoroso com uma jovem insurgente e depois fugindo para fora do planeta para ver o pôr do sol com seus próprios olhos.

Poucos se atreviam a apostar num cinema de ficção científica distópica e experimental em tempos de ditadura militar, o que indica que o jovem Carlos Solari já era um artista arriscado.

Mas a verdadeira importância de Ciclo de cielo sobre viento para o destino de Los Redondos (e de toda a cultura argentina) não está na trama, nem na originalidade ou nas influências; o realmente relevante foi o momento em que, em plena filmagem, Guillermo Beilinson apresentou ao Indio Solari seu irmão mais novo, Eduardo, mais conhecido como Skay; e, como Skay era músico, o convidaram a participar da criação da trilha sonora do filme, para a qual (como o Indio lembra) começam a misturar ruídos com música e o som da guitarra elétrica com vozes e ecos, o que resulta numa espécie de "folclore estranho e universal". A trilha sonora de Ciclo de cielo sobre viento foi a primeira colaboração entre o Indio e Skay, ou seja: o Big Bang ricotero. Vale destacar também que a figurinista do filme foi Carmen Castro (mais conhecida como La Negra Poli), companheira de vida de Skay e futura empresária da banda.

Em outras palavras: Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota existiu graças à ficção científica.

New Wave

Dez anos depois da estreia do filme, por ocasião do lançamento de Oktubre (o segundo disco de Los Redondos), o Indio Solari concede uma entrevista ao mítico jornalista argentino Enrique Symns para a revista Cerdos & Peces. A conversa, esclarece Symns no subtítulo, acontece na casa do próprio cantor, "entre sua coleção de comix" (outra forma de chamar os quadrinhos underground e contraculturais), onde falam de vários temas de seu interesse, entre eles a ciência e a tecnologia, o poder, as corporações que governam por meio da tecnocracia, a saúde mental e as ficções: "Vivemos a ficção através do comix e do cinema, o homem será o cowboy do espaço e a nave seu cavalo", diz a Symns.

Na biografia do Indio há uma foto muito particular em que ele aparece deitado no chão, cercado por uma quantidade incontável de revistas, a grande maioria de quadrinhos europeus: Tótem, El Víbora, Cimoc, Comix Internacional, 1984 (Espanha) e Metal Hurlant (França), o que deixa evidente o fanatismo do Indio por essa corrente específica da nona arte: histórias em quadrinhos adultas, sombrias, violentas, contraculturais.

Ao contrário do que aconteceu na era dourada da ficção científica (1938 a 1950), em que a fé no progresso e a devoção pela ciência e pela técnica eram o motor narrativo da maioria dos contos e romances, os autores da Nova Onda da ficção científica da década de sessenta, desencantados com a violência política e bélica e influenciados pelas revoluções culturais, pela vanguarda e pela literatura experimental, optaram por questionar os benefícios da ciência e do progresso imaginando futuros distópicos, evitando o espaço sideral para se refugiar no "espaço interior" do ser humano, e incluindo em seus relatos temas considerados tabu para o gênero, como o consumo de drogas, o sexo e a religião. O comix e as histórias em quadrinhos que Solari lia naquelas revistas europeias eram herdeiros diretos da Nova Onda da ficção científica, de modo que inevitavelmente tinham um olhar bastante pessimista e propunham cenários de ficção científica sombria, futuros distópicos e anti-heróis marginais. Todo esse imaginário se impregnou nas letras do Indio e ajudou a dar forma ao seu particular universo ficcional, cujo núcleo é, como já adiantamos, aquela tela infinita que ele chamava de El delito americano.

El delito americano

O documentário Jodorowsky’s Dune (Frank Pavich, 2013) conta a história do melhor filme de ficção científica jamais filmado (a adaptação do romance de Frank Herbert pelas mãos do excêntrico diretor e escritor Alejandro Jodorowsky) e passa a sensação de que perdemos uma obra que poderia ter quebrado todos os paradigmas do gênero e mudado a vida de todos os cinéfilos. A leitura do quadrinho Escenas del delito americano (2017) provoca uma sensação parecida, mas do ponto de vista literário: acontece que essa HQ escrita por Solari e magnificamente ilustrada por Serafín é composta de fragmentos de uma obra maior que o músico escreveu durante muitíssimos anos (trinta, talvez mais), um romance experimental de ficção científica de vanguarda que ele pretendia publicar algum dia, uma obra inconclusa da qual acabou decidindo soltar alguns fragmentos em formato de graphic novel. Muitas canções dos Redondos se nutriram desse texto infinito: de suas páginas emergiram frases, personagens e lugares que depois passariam a fazer parte das letras solarianas.

A partida do Indio não nos deixa órfãos só de música, mas também de literatura: dói pensar que talvez nunca possamos ler o que talvez seja o melhor (ou, no mínimo, o mais arriscado) livro de ficção científica argentina de todos os tempos. Romance total entre os romances totais.

Enfim: só nos resta nos contentar com as Escenas del delito americano, o que não é pouco.

Considero meio impossível e até ridículo tentar resumir esta HQ, por sua natureza não linear, fragmentária, experimental e alegórica. Na minha experiência, a melhor opção é mergulhar na leitura sem saber nem esperar nada; mas, para não ser mesquinho, vão algumas pistas: digamos que é uma história de ficção científica que narra flashbacks do apocalipse, memórias de futuros perdidos, distopias possíveis; um relato cyberpunk ricotero protagonizado em grande parte pelo Peregrino (um alter ego do Indio, como King Mob é de Grant Morrison em Os Invisíveis), um não-tempo saturado de drogas de design e estados alterados de consciência, experimentos sensoriais, bactérias, body horror, personagens extravagantes, guerras subversivas, crítica social, religião, política, poesia em prosa e filosofia. Nas palavras do Indio, Escenas del delito americano é: “um jogo sintático e gramatical que oculta com ambiguidades o objetivo de confrontar o leitor com o sentido de um futuro atomizado e cruel, no qual a ciência deixou de roubar tempo da eternidade”. É nesta obra central de Solari que se percebe com mais clareza a influência da Nova Onda da ficção científica literária e dos comix underground europeus: Moebius, de Jean Giraud (fundador, junto com Dionnet e Druillet, da revista Metal Hurlant e ilustrador do storyboard da fracassada adaptação de Duna de Jodorowsky), foi a referência estética obrigatória de Solari para Serafín.

A poética solariana

Há uma frase terrivelmente ricotera atribuída ao escritor cyberpunk William Gibson: “O futuro já chegou, só que está distribuído de forma desigual”. Gosto de imaginar que Gibson escutou os Redondos, sobretudo quando escuto Todo un palo (1988) e o Indio canta: “O futuro já chegou, chegou como você não esperava, todo um palo, já está vendo”. As letras do Indio são as de um poeta pop atento ao progresso técnico, um tecnoxamã interessado na evolução tecnológica e nas mudanças que ela produz no ser humano.

Nas canções dos Redonditos de Ricota fala-se de Adidas digitais, Pepsi injetável e um teste para ir ao espaço; há tecnoduques, psico-heróis, pequenos grandes valentões da internet, deuses digitais e até um Alien Duce; abundam os sony samurais, os drogocops, os robocops sem lei e os japoliciais feitos em Detroit; há ruas inteligentes, andanças na cybersibéria e passarinhos malucos da cyberbabel.

As letras do Indio são as de um poeta pop atento ao progresso técnico, um tecnoxamã interessado na evolução tecnológica e nas mudanças que ela produz no ser humano.

Nas canções de sua carreira solo pós-Redondos há videogames com xamãs, pássaros que cantam sobre as selvas da internet, robôs adormecidos, tecno-humanos, proto-humanos e tecnobios, autômatos adormecidos, cronofármacos, cibernuvens, profundidade virtual, casas inteligentes e chips subcutâneos.

Nas canções dos Redonditos de Ricota, o sotaque do bairro convive com o vocabulário da ficção científica, e o imaginário cyberpunk se mistura com a estética das margens de Buenos Aires. Solari trafica dados e informação cultural em suas letras, e muitas vezes deixa vazar nos versos suas influências sonoras, mas também cinematográficas (Andrei Tarkovski, Werner Herzog, Ingmar Bergman) e literárias (Jack Kerouac, William Burroughs, Kurt Vonnegut, Philip Dick). Vejamos um exemplo claro com uma canção não tão conhecida, inspirada em um conto. Em 1969, Philip K. Dick publica seu conto A formiga elétrica, que conta a história de Garson Poole, o CEO da prestigiosa empresa Tri-Plan Electronics, que, depois de um acidente com sua nave, acorda num hospital e descobre que lhe falta uma mão, embora não sinta dor. O médico revela que na verdade ele não é um homem, e sim uma formiga elétrica, um andróide orgânico programado para viver entre humanos e acreditar que é um ser humano. Poole entende que era só uma figura decorativa, que nunca tinha dirigido de fato a empresa, e se chama de “escravo mecânico”. Descobre que tem um painel no peito com um módulo de controle e um tubo de fita perfurada montado sobre o mecanismo do coração e que, talvez, modificando-o, possa alterar sua realidade. A partir dessa descoberta, Poole começa a questionar a natureza de sua existência: quem é ele? Por que o construíram? O que é a realidade? Dá para modificá-la?

Em uma canção inédita dos Redonditos de Ricota (que só tocaram em algumas ocasiões entre 1983 e 1987), conhecida popularmente como El hombre eléctrico (embora tenha sido registrada como Soy un perdido eléctrico), o Indio canta:

Soy un perdido eléctrico,
el universo eléctrico,
un multitudinario
perdido y sin identidad.
Cuido mi tubo túnel
con DDT galáctico
y aunque parezca un crimen
el monstruo no me muerde más.
Yo soy nadie.

O DDT (dicloro-difenil-tricloroetano) é o principal componente dos inseticidas: por acaso Garson Poole não é um ser perdido e sem identidade, uma formiga elétrica com um tubo túnel no peito, um ninguém perdido em um universo elétrico?

No final do milênio (vinte e dois anos depois do lançamento de Ciclo de cielo sobre viento), Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota haviam abraçado de vez a ficção científica distópica em seu nono álbum, Último bondi a Finisterre (1998), dotando-o de um packaging que remete a uma nave espacial e a uma estética futurista, com a banda completa (pela primeira vez numa capa) transformada em personagens digitais ao estilo das cinemáticas do PlayStation 1, letras com reminiscências cyberpunk e um rock de loops, samplers e texturas maquínicas que o aproximam da eletrônica.

No livro Díscolo. Desobediencias creativas del packaging discográfico (2013), Rocambole (autor da arte deste e de todos os discos dos Redondos) conta que sua intenção ao criar a capa de Último bondi a Finisterre era: “refletir uma espécie de viagem cruzando a fronteira que divide o passado do futuro. Como tentativa de desafiar os limites espaço-temporais. Uma viagem rumo àquilo que se nos apresentava como o futuro: o calvário tecnológico”.

Em 2010, com sua nova banda Los Fundamentalistas del Aire Acondicionado, o Indio lança El perfume de la tempestad, que contém uma de suas canções mais sci-fi: Submarino soluble. Em entrevista a Marcelo Figueras, Solari disse que esse tema: “Trabalha com a ambiguidade, nunca se sabe se o negro mar de que fala é virtual ou é o cosmos. Mas diz lata, e isso não é virtual, parece que se trata de uma espécie de astronauta. A questão não é que tipo de viajante ele é, mas quão sozinho está enquanto funciona como ponta de lança de uma cultura, indo se apropriar de outro lugar ou sendo semente”. Vista em retrospectiva, muita gente acredita perceber nesta letra uma antecipação, em chave alegórica, de sua doença: a nave a que ela se refere é o próprio corpo. Seja como for, Submarino soluble está escrita como um conto clássico de ficção científica e é uma das mais belas canções que compôs em sua última fase:

¡No me obedece más la nave donde estoy!
(me pregunto por qué no me obedece más…)
Planetaria es mi fortuna
pero hundida en un océano.
Abandonado aquí en Cibernube
en la profundidad virtual de un negro mar
Planetaria criatura…
mi mirada nunca aprendió
a llorar.
¡Lo que hay que sufrir en esta hojalata!
Yendo al muere… quieto… ¡Aleluya!
Pienso si estaría más a gusto ahí fuera
Miro la pantalla: ¡Aleluya!

Me hostigan mal desde el control
tantas consignas me hacen ver que sólo estoy
Planetaria es mi fortuna
pero hundida en un océano.
¡Mi cápsula neural ya no me hace efecto!
¡Y el joystick rojo no gobierna nada más!
¡No me obedece más la nave donde estoy!
¡Falta el aire! La luz parpadea…
Control insiste en que es normal lo que
ocurre
que estar tan solo, así, puede hacer mal…
Planetaria criatura
mi mirada nunca aprendió
a llorar.
Me arrastro muy lentamente
sobre mi vientre… ¡Aleluya!
¡Aleluya!
Adivino más que veo
un campo soleado en mí… ¡Aleluya!
¡Aleluya!

Em 5 de junho de 2026, deixou este plano terreno não só um dos melhores cantores e letristas, mas também um dos melhores escritores de ficção especulativa deste incrível país.

Salud, Indio! Obrigado pela música e pela ficção científica.

Playlist: Solari Cyberpunk
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